sábado, 17 de outubro de 2015

Vila do Conde recebe água e cestas básicas


Quase mil garrafões de água mineral e mais de 500 cestas básicas foram entregues pela Secretaria de Assistência Social e pela Defesa Civil de Barcarena aos moradores de Vila do Conde, epicentro dos impactos derivados do naufrágio do navio Haidar, ocorrido há dez dias.
Todas as manhãs, desde terça-feira (13), um batalhão de 40 servidores municipais e dezenas de carregadores, apoiados pelo Corpo de Bombeiros, concentra-se em frente ao Centro de Referência em Assistência Social, no entorno dos caminhões usados na distribuição. Partem de lá, divididos em grupos, os comandos de concessão de alimentos e água potável levados para as oito localidades de Vila do Conde mapeadas pelos técnicos da Prefeitura: Canaã, Prainha, Curuperé, Acuí, Distrito Industrial, Arrozal, Maricá e Vila.
A distribuição se faz ponto a ponto, de casa em casa. Em alguns locais, a condição de vida precária das famílias assistidas acelera o coração dos servidores. “Atravessamos uma ponte para chegar até a casa de uma mulher com três filhos que não tinha absolutamente nada para comer”, relata a secretária de Assistência Social, Juliena Nobre. “Ela agradeceu tanto, que nos emocionou”.
Em boa parte dessas comunidades, especialmente as ribeirinhas, a situação de risco antecede o acidente com o navio cargueiro que espalhou carcaças de bois e manchou de óleo a orla do município. Algumas casas ficam isoladas e não há na maioria delas sistema de esgoto. É claro que os impactos sociais e ambientais do naufrágio agravaram a situação das famílias, mas isso não se reflete, por exemplo, nas mais de 900 consultas e exames laboratoriais feitos ou encaminhados para o centro de saúde de Vila do Conde e para a unidade móvel da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) instalada no quintal da Pastoral da Criança.
Os episódios de cefaleia, vômito, diarreia, dispneia e epigastralgia relatados pelos pacientes nada têm a ver com a contaminação das águas locais. “Ainda não”, adverte o médico Antônio Carlos Moura, que trabalha no Hospital São José, na Vila dos Cabanos. “Mas isso não quer dizer que não venham a ocorrer situações mais preocupantes, porque o impacto ainda está sendo medido, e a decomposição de bois submersos não para, bem como o vazamento de óleo do navio”, lembra. “É preciso manter viva a vigilância em saúde, não descuidar do monitoramento das águas e promover o trabalho preventivo da atenção primária”, aconselha.
As primeiras análises das águas do Rio Pará, cujos ensaios se referem a coletas feitas no dia seguinte ao naufrágio, indicam que ainda é baixo o nível de contaminação, mas ela já se pronuncia. Mais 14 amostras foram colhidas na quarta e na quinta-feira pelo Laboratório Central do Estado, para avaliar, além do nível de contaminação, as condições sanitárias das águas e de balneabilidade das praias. Os resultados estarão disponíveis em cinco dias.
Comando de operações presta contas à comunidade
À medida que avança o trabalho de assistência às famílias postas em situação de risco pelo naufrágio do navio Haidar, ocorrido há dez dias no Porto de Vila do Conde, diminui o número de líderes e representantes de comunidades na reunião diária com o Comando Unificado das ações de emergência. Esse encontro ocorre sempre às 17h, no salão da Pastoral da Criança.
“As reuniões com as comunidades são uma prestação de contas de todas as instituições envolvidas no trabalha de assistência e também uma oportunidade para ouvir as necessidades das famílias”, explica o Coronel Augusto Lima, coordenador das operações. “Quanto mais avançamos no atendimento, menos pessoas vêm procurá-lo. Isso é um bom sinal”, avalia.
Na reunião desta sexta-feira (16), chamou atenção a presença de moradores de Abaetetuba, município vizinho a Barcarena, cuja praia de Beja e seu entorno também foram impactados pelos resquícios de óleo e carcaças de bois oriundos do navio naufragado. A Defesa Civil do Pará e a Prefeitura de Barcarena se comprometeram a solicitar para a Companhia das Docas do Pará que também atente para as comunidades de Abaetetuba ao repassar material para distribuição.
Os alvoroços deste dia ocorreram pela manhã, no salão paroquial da Igreja Católica, e à tarde, na própria pracinha de Vila do Conde. Desde as 10 horas, mais de 500 pessoas lotaram o salão para participar de audiência pública promovida pela CPI dos Maus-Tratos a Animais da Câmara Federal. À tarde, dezenas de moradores voltaram à praça, acreditando que seriam cadastrados para receber um salário mínimo e cestas básicas prometidas pela Secretaria Especial de Portos do Governo Federal, à qual está vinculada a Companhia das Docas do Pará, administradora do porto onde o Haidar naufragou e os 5 mil bois sucumbiram, transtornando a vida dos 8 mil moradores de Vila do Conde e elevando para 18 o número de desastres ambientas naquela área.
Por volta das 20h, os moradores que foram à praça descobriram que não havia cadastro nenhum. Para que as cestas e a indenização prévia se tornem realidade, a autoridade portuária ainda precisa oficializar essas medidas, o que só poderá ser feito a partir de segunda-feira (19). Mesmo dia em que o porto de Vila do Conde poderá ser fechado, sob acusação de negligência após o acidente com o navio.

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