terça-feira, 20 de outubro de 2015

Lacen prepara novo laudo sobre contaminação em Vila do Conde


O Laboratório Central do Estado (Lacen) deverá divulgar na próxima quinta-feira (22) o segundo laudo sobre a qualidade das águas do Rio Pará, decorrente das análises feitas após o naufrágio do navio Haidar no Porto de Vila do Conde, ocorrido no dia 6. O novo exame se refere às amostras coletadas em treze locais nos dias 14 e 15. No primeiro ensaio, divulgado no dia 16, as amostras foram colhidas em oito pontos, dois dias após o acidente. Os exames demoram sempre de cinco a sete dias até que se obtenham os resultados.
No laudo anterior, o Lacen constatou presença de coliformes e alguma alteração no nível de oxigênio das águas, mas pouco risco de contaminação por bactéria, que é a maior preocupação. “O monitoramento tem de ser permanente, pois ainda existem animais submersos e eles estão decompondo-se”, adverte o secretário de Saúde de Barcarena, Eduardo Tuma. “Além disso, depois da primeira coleta, aconteceu o rompimento da barreira de contenção e dezenas de carcaças foram parar na praia”, lembra ele. “Daí a necessidade de novas análises”.
Operação delicada
Depois que os corpos dos animais foram totalmente retirados das praias, começou o trabalho de limpeza da areia e desinfecção das ruas por onde passaram os caminhões com as carcaças resgatadas, rumo à área de descarte. O serviço é feito por empresa contratada pela Companhia das Docas do Pará, sob supervisão dos órgãos ambientais da Prefeitura de Barcarena e do Governo do Estado. Os trabalhadores lavam as ruas com desinfetante e espargem na areia uma solução química inodora,  insípida e inofensiva ao ambiente, que desagrega as partículas de óleo, facilitando a retirada do poluente.
As secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente também monitoram, juntamente com o Ibama, os trabalhos de salvatagem na área do desastre - de responsabilidade da Mammoet Salvage, empresa holandesa contratada pela CDP. Essa operação, bastante delicada, consiste na retirada de dentro da embarcação submersa de cerca de 500 toneladas de óleo e mais de 4 mil bois remanescentes, num prazo estimado em 120 dias.
O óleo será “sugado” por uma bomba acoplada à broca gigantesca de um equipamento especial, chamado Hot Tap. Trata-se de um sistema próprio para operações submersas. A broca perfura o casco de navio e a bomba retira o óleo, despejando-o numa balsa auxiliar com tanque apropriado para o armazenamento. O risco maior deriva do impacto dessa operação na própria embarcação e nas águas que a encobrem.
Para evitar novos rompimentos, a contenção foi reforçada. A empresa Mammoet, a Semas, a secretaria municipal de Meio Ambiente e o Ibama criaram barreiras ao largo da contenção, de onde monitoram o local 24 horas por dia, para proceder ao resgate imediato, ainda na área do porto, de qualquer carcaça ou resíduo que venha a se deslocar em caso de novo rompimento durante a operação. “Estamos atentos. Se houver novo incidente, a equipe está pronta para agir”, garante a engenheira ambiental Juliana Nobre, secretária de Meio Ambiente em Barcarena.
Interdição
“O papel da Semas, como órgão ambiental do Estado, é fiscalizar, autuar, multar, monitorar e notificar as empresas responsáveis pelo acidente e também a CDP, que controla o porto”, esclarece Luiz Fernandes, secretário de Meio Ambiente do Pará. Segundo ele, a Semas já emitiu doze autos de infração e três notificações cobrando da CDP o plano de ação obrigatório para essas situações. Além disso, foi fixada multa pelo descumprimento das notificações, cujo valor inicial era de R$ 200 mil e hoje já está em R$ 2 milhões por dia
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Para prevenir novos acidentes, a Semas decidiu interditar embarcações de transporte de carga viva no Porto de Vila do Conde até que a situação de risco tenha passado e o fluxo seja normalizado. “Não podemos permitir embarque e desembarque de carga viva enquanto o desastre não estiver contornado. Seria uma irresponsabilidade”, afirma Luiz Fernandes.
Vinte servidores da Semas estão envolvidos na missão Vila do Conde, que inclui o monitoramento, a fiscalização e as demandas judiciais relativas ao problema. “A secretaria vai continuar acompanhando todo o procedimento da retirada do óleo do rio Pará, bem como das carcaças dos bois da embarcação, para garantir a proteção ao meio ambiente e à população”, reitera o secretário.
Vigilância
A Sespa também deslocou dezenas de servidores para Barcarena, com o objetivo de apoiar a secretaria municipal de Saúde e reforçar a vigilância em saúde, que se divide em três direções: vigilância ambiental, vigilância epidemiológica e vigilância sanitária. “Hoje, a Sespa intensifica o trabalho de monitoramento das águas, com duas coletas semanais, às terças e quintas. São colhidas amostras de águas do meio ambiente e de poços artesianos, para análise do Lacen e do Instituto Evandro Chagas. O resultado será repassado ao município para ser informado à população”, explica o secretário de Saúde do Pará, Vitor Mateus.
Desde o dia 6, quando o Haidar naufragou, o Governo do Estado mantém em Vila do Conde uma força-tarefa de mais de 100 servidores civis e militares, designados pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Semas, Sespa, Seaster, Adepará, Lacen e Secom.
As ações são feitas em conjunto com as secretarias de Meio Ambiente, Assistência Social, Infraestrutura e Administração, além da Defesa Civil da Prefeitura de Barcarena, bem como dezenas de voluntários da própria comunidade e em parceria com a Cruz Vermelha. Toda essa operação é coordenada pelo coronel Augusto Lima, da Defesa Civil, especialista em Sistema de Comando em Incidentes.
Segurança
Além da fiscalização ambiental e da vigilância em saúde garantidas pelo trabalho integrado, as equipes da prefeitura apoiadas pela Polícia Militar distribuíram em cinco dias mais de 1.660 galões de água mineral com 20 litros cada e cerca de 1.110 cestas básicas. “Esse trabalho não para. Vamos dar assistência a todas as famílias em situação de risco”, garante a JUliena Nobre, secretária de Assistência Social de Barcarena.
“A presença da PM é importante para garantir a segurança dos comboios e dos servidores que fazem a distribuição, bem como da própria população”, avalia o comandante do 14º da Polícia Militar, sediado em Barcarena, tenente-coronel Mauro Andrade. “Todo o nosso efetivo está envolvido nessa operação, seja no trabalho preventivo e de proteção social, seja na interlocução com as comunidades afetadas pelos impactos do naufrágio”, assegura.

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