sexta-feira, 23 de outubro de 2015

EUA investigam corrupção na PDVSA, petroleira estatal venezuelana

Agências dos Estados Unidos abriram investigações sobre casos de corrupção e desvio de dinheiro da companhia petroleira estatal venezuelana PDVSA, reporta nesta sexta-feira o jornal The Wall Street Journal. "Autoridades dos Estados Unidos lançaram uma série de investigações para saber se políticos venezuelanos utilizaram a PDVSA para desviar bilhões de dólares do país através de subornos e outros mecanismos", informou o jornal, que mencionou como fontes "pessoas próximas ao assunto".

De acordo com o jornal, as investigações também pretendem "determinar se a PDVSA e suas contas bancárias no exterior foram utilizadas para fins ilegais, incluindo operações de câmbio paralelo e lavagem de dinheiro proveniente de drogas", durante o governo de Hugo Chávez (1999-2013). O jornal americano informa que um dos dirigentes venezuelanos investigados seria Rafael Ramírez, ex-ministro de Energia, ex-presidente da PDVSA e atual embaixador de seu país nas Nações Unidas. Após tomar conhecimento da reportagem, Ramírez publicou uma série de mensagens no Twitter ironizando sobre as investigações. "Esses ataques, longe de nos submeter, nos fortalecem e nos mantém firmes no combate. Viva Chávez!", disse ele em uma delas.

A Petróleo de Venezuela S. A., mais conhecida como PDVSA, é a maior empresa do país e praticamente sustenta a economia venezuelana com suas exportações. A empresa provê 96% das divisas do país, mas sua produção vem caindo desde o ano passado. Se não bastasse, os inúmeros casos de corrupção denunciados pelo que resta da imprensa independente da Venezuela, a menor produção, o alto consumo interno e queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional estão fazendo a companhia ter dificuldade de fechar duas contas e dar lucros satisfatórios.

"A PDVSA vem tendo problemas financeiros, operacionais e de corrupção. Há um mau gerenciamento da empresa em parte porque ela ficou em função do projeto político do chavismo e também por ter se encarregado de outras tarefas, como a importação e distribuição de alimentos subsidiados", explicou o economista e consultor de assuntos petroleiros, Orlando Ochoa. O economista argumenta que a estatal petrolífera sai prejudicada da política de controle cambial, com três taxas oficiais e uma no mercado negro, assim como da "petrodiplomacia" implantada pelo governo, com envios de petróleo a países aliados.

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