quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sespa alerta sobre transmissão das hepatites e Aids durante o carnaval

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está apoiando as ações executadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) no carnaval 2015, na capital e nos distritos de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro. A partir desta sexta-feira, 13, técnicos da Sespa estarão nos terminais rodoviário e hidroviário de Belém e ainda apoiarão as ações que serão executadas pelos Centros Regionais de Saúde (CRS) nos municípios de abrangência e com maior concentração de foliões.
A medida atende às recomendações do Ministério da Saúde (MS). A mensagem geral da campanha de carnaval deste ano é alertar o jovem para se prevenir contra o vírus da Aids e também das hepatites B e C, usar camisinha, fazer o teste e, se der positivo, começar logo o tratamento, reforçando o conceito “camisinha + teste + medicamento” de prevenção combinada. Os materiais reforçam o slogan final usando a gíria “#partiuteste”, linguagem típica desta faixa etária prioritária.
Essa estratégia já foi utilizada em Belém durante o mês de janeiro no cortejo dos blocos de carnaval na Cidade Velha e também nos desfiles das Escolas de Samba e Blocos que aconteceram na Aldeia Cabana, no bairro da Pedreira, em Belém. As ações serão concentradas neste final de semana nos terminais Hidroviário e Rodoviário de Belém, porto do Arapari e cais de Icoaraci e Cotijuba nesta sexta-feira gorda, 13, e nos distritos de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro, entre 14 e 17 de fevereiro.
Pelo interior
Com o slogan “Eu me previno, eu me testo, eu brinco o carnaval , #PARTIUTESTE”, a campanha que será realizada por seis Centros Regionais de Saúde (CRS) da Sespa será realizada entre 14 e 18 de fevereiro nos municípios mais procurados por foliões, com oferta de testes Rápidos para HIV, Sífilis, hepatites B e C, além da aplicação de vacinas contra a hepatite B e distribuição de preservativos e gel lubrificante.
Com o apoio dos técnicos da Coordenação Estadual de Hepatites Virais, da Coordenação Estadual de DST/Aids e dos integrantes da Sociedade Civil, as ações serão executadas durante as festas de carnaval promovidas nos municípios abrangidos pelo 2º CRS – Colares, Santo Antônio do Tauá, Santa Isabel do Pará e Vigia -; 3º CRS – Castanhal, Curuçá, Maracanã e Marudá -; 4º CRS – Augusto Corrêa, Bragança, Capanema, Marudá, Ourém, Peixe Boi e Salinópolis -; 6º CRS – Abaetetuba, Barcarena e Igarapé-Miri -; 7º CRS – Ponta de Pedras, Salvaterra, São Sebastião da Boa Vista e Soure - e 13º CRS – Baião, Cametá e Mocajuba.
"Para essas ações no interior do Estado, a Sespa entende ser fundamental a integração das atividades em favor da prevenção, sobretudo em datas e eventos de grande concentração popular, em que a empolgação e o descompromisso podem contribuir para que a população reduza a vigilância e a crítica relacionadas a atitudes que podem prejudicar sua saúde, como a não utilização de preservativos, expondo-se às doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids e as hepatites virais”, alerta. Nesse caso, os CRS’s da Sespa representam o Estado em cada município de sua abrangência.
Para toda essa mobilização, o Ministério da Saúde e a Sespa já enviaram aos municípios 33. 585 testes rápidos para HIV, 1.100 testes de fluído oral para HIV, 4.380 testes rápidos para sífilis, 20.500 testes para hepatite B e outros 20.500 para detectar o tipo C. Foram também enviados 1,5 milhão de preservativos e 500 unidades de gel lubrificante, além de 50 mil doses de vacina contra a hepatite B.
Casos de hepatites e Aids
Quanto às hepatites virais, o Pará apresenta o seguinte panorama para a hepatite B: 256 casos em 2011; 487 em 2012; 336 em 2013 e 242 no ano passado. Em relação ao tipo C, foram 82 casos em 2011; 141 em 2012; 139 em 2013 e, no ano passado, 91 novas ocorrências. Segundo Cisalpina Cantão, coordenadora estadual de Hepatites Virais, existe prevenção para o tipo B por meio de vacina. Em relação ao tipo C estão disponíveis somente prevenção e tratamento no caso de diagnóstico positivo.
“As hepatites são doenças silenciosas, pois as vítimas podem passar anos sem apresentar sintomas. Ambas as infecções podem evoluir para cirrose e suas complicações. A maioria das pessoas, quando diagnosticadas, está na faixa etária dos 40 a 60 anos, frequentemente na fase de cirrose ou até mesmo com câncer no fígado. Campanhas como essa são feitas na tentativa de mudar este panorama”, explica Cisalpina.
No cenário nacional, o Pará tem se destacado nas políticas públicas alusivas ao combate das hepatites, sobretudo pelo avanço da busca ativa por pacientes silenciosos, ou seja, aqueles que sequer sabiam que tinham os vírus B ou C da doença, considerados os mais letais. “Posso dizer que o Pará é o Estado do Brasil que mais tem feito testagens para hepatites e, para isso, tivemos o apoio do Ministério da Saúde, que foi fundamental nesse processo, e das equipes da gestão estadual, por abraçarem essa causa”, destacou a médica hepatologista Márcia Iasi, que acompanha também pacientes com hepatite C que passam por tratamento na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, referência estadual em doenças do fígado.
Para a coordenadora estadual de DST/Aids, Deborah Crespo, outras doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorréia e sífilis, estão diretamente relacionadas ao carnaval, além da Aids. “Outra situação constante, que não constitui doença, é a gravidez - muitas vezes, indesejada. A melhor e única maneira de prevenção é com o uso de camisinha, que não deve ser esquecida, mesmo após algumas doses de bebida alcoólica”, alerta.
Em relação a Aids, a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos a cada 100 mil habitantes, em 2013. No Estado do Pará essa taxa é de 23,2 casos a cada 100 mil habitantes, sendo que de 1980 a junho de 2014 foram registrados cerca de 18 mil casos da doença no território paraense.
O mais recente boletim epidemiológico emitido pelo MS também aponta que o Pará consta no ranking como a sétima Unidade da Federação com maior número de casos confirmados no período de 2009 a 2013. Na frente estão Rondônia (6º), Rio de Janeiro (5º), Santa Catarina (4º), Amazonas (3º), Amapá (2º) e Rio Grande do Sul (1º).
Na região Norte composta por sete Estados, somente pelos números de 2013, o Pará está em quinto lugar no ranking de detecção, ou seja, em torno de 23 casos para cada 100 mil habitantes. Acima dele estão Amapá (28,6), Rondônia (27,6), Roraima (31,3) e Amazonas (37,4). Entre os 100 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes que registram maior ocorrência da doença, o Estado aparece com Marituba, em sexto lugar geral na classificação, seguido por Belém (17°), Tucuruí (20°), Castanhal (32°), Ananindeua (53°), Paragominas (62°), Bragança (82°) e Parauapebas (89°).
Em 2013, o Pará registrou 1.054 casos de Aids, sendo 647 em homens e 407 em mulheres. Este ano, até 12 de agosto, foram registrados 441 casos da doença, sendo 281 em homens e 160 em mulheres. Informações da Coordenação Estadual de DST/Aids dão conta de que o adulto jovem é o mais atingido pela doença, sendo o contato sexual a principal forma de transmissão da Aids no Estado.

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