sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

PML: MORO PREMEDITAVA A LAVA JATO HÁ ONZE ANOS

A Operação Lava Jato, cujos processos estão sob a coordenação do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, foi premeditada em 2004, quando Moro escreveu um artigo sobre a Mãos Limpas, deflagrada na Itália dos anos 1990 e que, em um ambiente de euforia, foi concluída com mais de 1200 condenações. Quem resgata o texto é Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília, em novo post em seu blog.
No artigo, Moro "define um modelo de trabalho para o futuro próximo e deixa claro que acha necessário repetir uma investigação semelhante no Brasil — a questão é encontrar a oportunidade". "Como ponto de partida, o juiz procura estabelecer várias semelhanças entre o Brasil e a Itália — recurso obrigatório para quem quer justificar a aplicação, aqui, do mesmo remédio que foi empregado por lá", acrescenta o jornalista.
Longe da postura equilibrada e distante que se espera de um juiz, ou mesmo de um trabalho acadêmico, o artigo de Sérgio Moro é um roteiro de agitação política. Transpira voluntarismo, pede ação e discute estratégias para atingir seus objetivos. O texto confirma que o conhecimento jurídico de Sergio Moro não merece reparos. O que se debate é o uso político que pretende fazer desse conhecimento — pois se trata de uma ideia em busca de uma chance de virar realidade, ou de um esquema mental a espera de um recheio.
"Depois da Mãos Limpas, o procurador Antonio Di Pietro, que obteve na Operação o mesmo destaque obtido por Joaquim Barbosa na AP 470, ingressou na carreira política. Como recorda Sergio Moro, Di Pietro costumava referir-se ao sistema político italiano como uma 'democracia vendida'", diz PML.
"Em 2014, os vazamentos sobre a Lava Jato serviram para colocar o mundo político brasileiro numa posição precária e frágil perante o Judiciário, demonstrando quem tinha 'maior legitimação'", diz o colunista, que critica as prisões preventivas da Operação da PF – "o que se espera é que um longo confinamento convença os detidos a confessar os crimes que a Polícia e o Ministério julgam que cometeram" – e coloca em discussão o impacto que a investigação terá na política e na economia.

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