quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

PETROBRAS SOBE 5% COM AUTONOMIA E BALANÇO

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (21) depois da notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) irá realizar um programa de compra de ativos nos mesmos moldes do "Quantitative Easing" dos Estados Unidos. A notícia, junto com a expectativa por decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), moveu o mercado hoje. O índice subiu 2,81%, a 49.224 pontos, foi a maior alta desde 7 de janeiro. O volume financeiro negociado foi de R$ 6,385 bilhões.
O dólar registrou baixa, com uma queda de 0,51%, a R$ 2,601 na compra e R$ 2,602 na venda. Na mínima, a moeda norteamericana chegou a bater abaixo dos R$ 2,59, influenciado pelo BCE e pelas frequentes intervenções do governo no câmbio por meio de swaps cambiais.
Segundo o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, a alta aqui acabou sendo ainda mais forte do que na Europa, uma vez que a notícia é auspiciosa para os mercados emergentes. A injeção de liquidez no continente pode dar uma sobrevida às commodities que enfrentam uma forte depreciação desde 2014. Além disso, ele lembra que com mais dinheiro circulando no continente, o risco-retorno no Brasil passa a ser mais atrativo, principalmente se a Selic for elevada novamente hoje.
QE e Davos
O programa de compra de ativos para expandir a base monetária da zona do euro durará por volta de um ano, segundo informações do Wall Street Journal. O Conselho Executivo do BCE se encontrou na terça-feira para decidir a proposta. O ministro da Fazenda Joaquim Levy já comentou em Davos que a decisão do BC europeu deve ser positiva para o Brasil.
Além do estímulo do BCE, o banco do Canadá cortou hoje os juros básicos da sua economia para 0,75%.
Em Davos, onde acontece o Fórum Econômico Mundial, destaque ainda para a fala do secretário-geral da Opep, Abdullah al-Badri, que defendeu nesta quarta-feira a decisão do grupo de não cortar a produção em reunião realizada em novembro, para combater a queda dos preços do petróleo. Porém, ele destacou que a queda nos preços do petróleo não vai durar muito e que os preços vão "voltar para o normal muito em breve", o que impulsionou a cotação da commodity no mercado futuro.
Destaques de alta
As ações da Oi (OIBR4, R$ 5,65, +10,35%) dispararam na sessão desta quarta. Isso um dia antes da esperada assembleia geral da holding Portugal Telecom SGPS, que decidirá sobre a venda dos ativos portugueses, e que já foi adiada duas vezes. O Conselho de Administração da PT SGPS afirmou ter divulgado toda a informação necessária para os acionistas deliberarem sobre a venda da PT Portugal à Altice na assembleia.
Depois do BCE, as ações subiram como um todo, mas a Petrobras (PETR3, R$ 9,46, +6,41%; PETR4, R$ 9,82, +5,36%), se destacou, subindo mais de 5%. O governo tem sinalizado maior autonomia nas decisões da petroleira. Hoje, uma matéria do Valor cita que a companhia terá uma ''liberdade vigiada de preços''. Em resumo, a estatal poderá ter um livre arbítrio para as próximas decisões de reajuste, mas será monitorada pelo governo. A petroleira ainda se beneficia da melhora do cenário de commodities, principalmente com mais uma recuperação do petróleo, que sobe mais de 1% no caso do barril do WTI (West Texas Intermediate).
As ações da Estácio (ESTC3, R$ 19,40, +6,30%) também subiram forte, se recuperando das quedas desde o começo do ano que afetaram o setor de educação, o melhor de 2015, como um todo, após anúncio de medida que dificultará o ingresso de alunos no programa Fies.
As ações da Natura (NATU3; R$ 31,95, +6,50%) se recuperaram nesta sessão em meio às notícias de que as fabricantes de cosméticos querem discutir com o governo federal as implicações do aumento da carga tributária do setor anunciado na segunda-feira.
Destaques de baixa
Depois de cair quase 4% ontem, as ações da Gol (GOLL4, R$ 12,94, -0,99%) tiveram performance abaixo da média novamente nesta sessão. Na véspera, o Goldman Sachs cortou a recomendação dos papéis de neutra para venda. O preço-alvo é de US$ 4,20 para as ações.
As ações da Braskem (BRKM5, R$ 13,12, -0,23%) seguiram em queda pelo terceiro pregão seguido. O movimento negativo teve início no dia do apagão que deixou diversas cidades brasileiras sem luz por alguns minutos. A companhia, no entanto, informou nesta manhã que não teve sua produção afetada pelo apagão que derrubou energia em diversos estados no Brasil na última segunda-feira.

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