quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pará reduz em 96% casos de malária em quatro anos

O Pará reduziu em 96% os casos de malária, apontou a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) durante a última Reunião de Avaliação do Programa Estadual de Controle da Malária, ocorrida no Hotel Beira Rio, nesta quinta-feira (11). Além disso, dez municípios estão sem registro de novos casos. Para o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, o resultado é fruto do trabalho sério desenvolvido pelos municípios paraenses em parceria com o governo do Estado em quatro anos de gestão.
O objetivo do evento foi avaliar a situação epidemiológica e as ações de vigilância e controle da malária nos 24 municípios prioritários das regiões norte, nordeste, sudeste e sul do Pará. Participaram do encontro representantes dos municípios de Afuá, Anajás, Ananindeua, Belém, Breves, Bujaru, Cametá, Chaves, Cumaru do Norte, Curralinho, Goianésia do Pará, Ipixuna do Pará, Itupiranga, Maracanã, Marapanim, Moju, Ourilândia do Norte, Paragominas, Ponta de Pedras, Portel, São Caetano de Odivelas, São Félix do Xingu, Tailândia e Tucuruí.
O número de casos caiu de mais de 180 mil, em 2010, para cerca de 11,6 mil este ano, e os municípios que não registraram casos são Belém, Bujaru, Cametá, Goianésia do Pará, Ipixuna do Pará, Paragominas, Ponta de Pedras, São Caetano de Odivelas e Tucuruí.
Segundo Bernardo Cardoso, as principais ações que levaram a esse resultado positivo foram a distribuição de 180 mil mosquiteiros impregnados de inseticida à comunidade e a garantia de funcionamento das Unidades de Diagnóstico e Tratamento (UDT), onde são feitos os exames laboratoriais para diagnóstico da malária e distribuídos os medicamentos. Desde a década de 90, o controle da malária é focado no diagnóstico precoce e tratamento da doença. A borrifação, que tem como alvo o mosquito, é usada em casos especiais, devido ao risco de contaminação das pessoas e meio ambiente.
“O uso constante do mosquiteiro é uma medida preventiva que evita o contato de mosquitos com pessoas doentes e sadias, quebrando a cadeia de transmissão da doença”, explicou o diretor da Sespa, informando que a secretaria está adquirindo mais 60 mil mosquiteiros para distribuição em áreas de maior risco de malária.
Além disso, a Sespa capacitou profissionais de saúde em todos os municípios prioritários, promoveu atividades de educação em saúde e adquiriu e repassou aos municípios microscópios e veículos como carros, lanchas e motos para transporte dos agentes de endemias, principalmente, nas áreas de difícil acesso.
Bernardo Cardoso também elogiou o empenho da maioria dos gestores municipais e profissionais de saúde em trabalhar junto com a Sespa para melhorar o controle da malária e prestar melhor assistência à população atingida pela doença.
O município de Anajás, que era campeão de casos de malária e não saía das manchetes dos jornais, também conseguiu reduzir o número de casos da doença, que caiu de cerca de três mil, em 2011, para 170 este ano. Segundo o assessor técnico da Coordenação Municipal de Controle de Endemias de Anajás, José Eduardo dos Santos, o resultado positivo não apareceu antes porque a população demorou a assimilar a importância do uso do mosquiteiro.
“Para se ter uma ideia, as pessoas recebiam o mosquiteiro e orientações de uso, mas não seguiam, guardavam e, muitas vezes, até davam outro destino a ele, como transformar em tela de proteção e até rede de trave em campo de futebol. Como o processo de sensibilização nunca parou, aos poucos, as famílias foram vendo o resultado, adotando o uso do mosquiteiro no dia a dia, até chegarmos a esse resultado em Anajás, como em diversos municípios”, informou José Eduardo.
O assessor técnico também ressaltou a importância do trabalho dos agentes comunitários de saúde junto à comunidade, a implantação de 19 UDTs na zona rural e o treinamento de microscopistas para agilizar o atendimento de pacientes com suspeita da doença. “Em uma hora, o sangue é coletado, o resultado informado e o medicamento entregue, caso dê positivo para malária”, concluiu o assessor.

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