quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

OPOSIÇÃO PERDE A SEGUNDA ARMA DO IMPEACHMENT

Com a aprovação do projeto que permite alterar o cálculo do superávit primário, a oposição perde a segunda arma do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, avalia a jornalista Tereza Cruvinel, em seu blog no 247. A guerra travada entre governo e oposição teve "poucos precedentes na história parlamentar recente", diz ela. "Para a oposição, o que estava em jogo não era a questão fiscal, mas o fim do segundo caminho para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff".
Agora a oposição tem apenas uma alternativa para tentar tirar Dilma de seu posto: "vincular a prestação de contas de campanha de Dilma às empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato". Ela ressalta que o ministro Gilmar Mendes, que analisa a prestação de contas de Dilma, já toma "providências sintonizadas com este caminho. Repito que este processo está se atrasando. Para haver diplomação no dia 18, a prestação de contas deverá ter sido aprovada pelo TSE, a partir do relatório Gilmar".
O primeiro caminho para o impeachment, lembra Tereza, aconteceu antes do segundo turno: "o golpe da revista Veja com a capa 'Eles sabiam de tudo'", que, apesar de não ter produzido resultados eleitorais, "serviu para colocar a palavra 'impeachment' em circulação, a partir de duas pequenas manifestações em São Paulo, que deram carona aos defensores de um golpe militar". A colunista acredita, no entanto, que "acha difícil" o plano do impeachment vingar.
"Este plano tem chances de vingar? Acho difícil. O impeachment exige condições jurídicas e políticas. As primeiras significam observância do devido processo legal, com prova e contraprova. O PT parece muito seguro de que as doações legais que recebeu não têm como ser vinculadas ao esquema de propinas na Petrobrás. Como distinguir as doações que as empreiteiras fizeram ao PT das que foram feitas a ouros partidos e candidatos, inclusive ao PSDB e a Aécio? Sem provas não há processo. As condições políticas pressupõem apoio popular, pois trata-se, afinal, de uma medida contra a decisão tomada pelo povo. Este elemento não faltou no caso de Collor. Mas existiriam no país milhões dispostos a marchar contra Dilma sob a liderança de Lobão?", questiona a colunista.

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