segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

GRAÇA ENTRA EM XEQUE APÓS DIA NEGRO PARA PETROBRAS

Prestigiada pela presidente Dilma Rousseff, que recusou pedido pessoal de Graça Foster para aceitar a demissão dela do cargo de presidente da Petrobras, a executiva número 1 da estatal está por um fio. Conselheiros de Dilma tem alertado que o mercado está cobrando um fato novo para voltar a acreditar na capacidade de recuperação da petrolífera. Apenas na última semana, a estatal perdeu um quarto de seu valor de mercado, chegando ao mesmo nível de dez anos atrás. Numa triste coincidência, a ação  que estava cotada a R$ 9,18 em 15 de dezembro de 2004 foi comercializada, na segunda-feira 15, nos mesmos R$ 9,18.
Numa conta mais sofisticada, a consultoria Economatica, uma das mais respeitadas do mercado, concluiu que o mercado já avaliou a Petrobras em 4,22 vezes o seu patrimônio líquido. Hoje, essa relação é de apenas 0,31%. Significa que a empresa, hoje, vale apenas um terço de seu patrimônio líquido, contra quase quatro vezes e meia duas décadas atrás.
- É um resultado assustador, diz Einar Rivero, responsável pelos cálculos. "A tendência é essa relação se estreitar ainda mais".
Especialistas no mercado acionário avaliam que o dia D da Petrobras ocorrerá nesta terça-feira 16. Na segunda ocorreu o vencimento de opções, quando forças distintas pressionam os papéis para cima e para baixo. No caso da estatal, estas últimas venceram. A seguir assim, a Petrobras terá seu sétimo pregão seguido de queda. Nova queda forte tem todo o potencial para apressar a substituição de Graça.
Conselheiros da presidente Dilma tem insistido com ela que o mercado está pedindo um fato novo para voltar a acreditar na Petrobras. Isso só seria possível com a substituição de todo o comando da companhia. Do quadro anterior, três diretores já estão denunciados por crimes de corrupção na operação Lava Jato – Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque. Eles foram chefiados por Graça, que, mesmo tomando atitudes para apurar as suspeitas de desvios, não chegou perto de descobrir o volume da trama.
Dilma admira o trabalho da presidente da Petrobras, especialmente no tocante ao aumento substancial da produção de petróleo na área do pré-sal. Mas a derrubada do preço internacional do barril, que caiu nas últimas semanas da faixa de US$ 100 para US$ 60, anulou o que poderia ser uma vantagem competitiva para a companhia.
Esperando pelo fim da queda das ações da estatal, Dilma tinha a intenção, primeiro, de manter Graça. Em seguida, passou a aceitar a substituição dela no contexto da reforma ministerial, com um novo time, completo, a ocupar ministérios, bancos públicos e estatais a partir de janeiro. A velocidade da deterioração nos fundamentos da companhia, entretanto, faz com que integrantes do chamado núcleo duro do governo sejam cada vez mais enfáticos nos aconselhamentos para uma mudança na diretoria da Petrobras.
- Hoje há uma paralisia na Petrobras, resume um auxiliar a presidente Dilma.
- Graça foi colocada para fazer a limpeza na estatal, e Dilma tem dito que não há nada envolvendo o nome dela nos escândalos de corrupção. O problema é que, agora, a questão se tornou política. Graça Foster está inviabilizada para permanecer no cargo, assevera ele.
Dilma ainda resiste em tirar Graça do cargo antes dos demais ministros, mas ela vai sendo orientada a fazer ao menos um sinal para o mercado de que novos nomes virão para comandar a estatal a partir de janeiro de 2015. A presidente tem sido instada a pensar no nome de um grande executivo para o comando da companhia. O nome do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim é uma das sugestões que circula entre políticos do PMDB.

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