sábado, 29 de novembro de 2014

PT ENGOLE LEVY, MAS KÁTIA NÃO DESCE REDONDO

A presidente Dilma Rousseff parece decidida a entregar o comando do Ministério da Agricultura à senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).
A escolha, que gerou protestos desde o primeiro momento em que foi divulgada, contém todos os ingredientes para não “descer redondo” da cúpula à militância do PT. A fatura política que a presidente está disposta a pagar ao seu partido e aos movimentos sociais por Kátia na Agricultura é alta. E pode se tornar bem maior do que a de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda.
Alçada ao rol de principais aliados da presidente Dilma Rousseff há apenas dois anos, Kátia Abreu construiu sua ascensão política batendo no PT. E forte. Foi a primeira congressista a impor derrota política ao ex-presidente Lula, ao liderar a derrubada da CPMF (Contribuição Provisória de Movimentação Financeira).
Desde deputada federal, Kátia Abreu representa o antagonismo a algumas das principais bandeiras do PT e de setores da esquerda brasileira, como a reforma agrária, a defesa dos direitos das minorias e flexibilização na demarcação de terras indígenas. Protestos já se fizeram de toda forma. Desde invasão de propriedade, feita pelo MST, passando por abaixo assinado virtual e manifesto assinado por intelectuais e políticos. de formas diferentes, o recado é uníssono: a esquerda não quer Kátia na Agricultura. 
Além da desarmonia com as diretrizes do partido, o PT vê com desconfiança a aproximação fulminante de Kátia Abreu do Palácio do Planalto. Principalmente porque soube pela internacional que Kátia trabalha, com apoio de setores do PMDB, para ocupar a cadeira principal do Palácio, sucedendo a presidente Dilma (leia mais).
Fritura em fogo alto
Antes mesmo de ter seu nome oficializado como ministra, a senadora Kátia Abreu sofre fritura em fogo alto e protagoniza denúncias de escândalos na entidade para a qual foi reconduzia à presidência, em outubro, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Algumas delas trazidas de 2010 ainda. O estilo “trator” da senadora tocantinense é apontado como o principal fator de desagregação no Agronegócio. Coincidência ou não, em apenas duas semanas, dois “esqueletos” guardados pela senadora na CNA foram retirados do armário e ganharam manchetes da imprensa nacional.
O primeiro é a ação que Kátia Abreu responde no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por usar a entidade para angariar dinheiro de forma considerada ilegal pela Procuradoria Geral Eleitoral (PGE). Como presidente da CNA, Kátia enviou 600 mil boletos de cobrança, no valor de R$ 100 cada, para produtores rurais de todo o país, solicitando seu pagamento como forma de doação a campanhas eleitorais de candidatos ligados ao agronegócio.
Do total arrecadado, R$ 708.724,17 foram repassados para o diretório do DEM do Tocantins, do qual Kátia Abreu era presidente. Desse valor, o filho da senadora, deputado federal Irajá Abreu, hoje no PSD, recebeu, em setembro de 2010, dois depósitos de R$ 100 mil cada.
Outra denúncia de irregularidade que envolve Kátia Abreu na CNA diz respeito à legalidade da condução das contas da entidade. Em ação que tramita na Justiça do Trabalho, movida pela Federação da Agricultura do Paraná, Kátia é acusada de aprovar às pressas as contas de 2013 da CNA e de não permitir acesso integral aos gastos (leia mais). 
Oposição aponta irregularidades série, que vão desde gastos de R$ 32,2 milhões com empresas de informática de um aliado da senadora, a não comprovação de despesas de R$ 31,1 milhões na rubrica de “projetos da presidência” e “serviços de terceiros”.
Diante do histórico pouco amistoso de Kátia Abreu com as ideias do partido, e agora com essas denúncias o comando da CNA, o PT se pergunta se a presidente Dilma irá pagar para ver e confirmar a senadora como ministra.

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