terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

PT dividido: a sorte está lançada


Petistas de várias regiões do Pará participaram da plenária da Frente Popular por "Candidatura própria, já!,  em Belém. O movimento aprovou um manifesto, que deve servir como matriz para protocolar a candidatura do deputado federal Cláudio Puty ao governo do Estado nas próximas eleições.

O núcleo de organização do movimento deve aprovar um calendário de ampla  mobilização, programar  visitas,  conversas, plenárias para ampliar o debate, que deve colocar na pauta do Encontro Estadual do PT o desejo dos autênticos petistas de votar em candidato própria, em outubro deste ano. Como aliás, sempre aconteceu, mesmo quando o partido não tinha a mais remota chance de vitória.

"É um absurdo figuras do partido dizerem publicamente que o PT não tem condições de disputar uma eleição. Isso depois de festejarmos 34 anos de história que temos mais saldos positivos de lutas, de legados de governos populares em todo país, de ser um dos partidos que mais cresce nos processos eleitorais. Ainda assim tem companheiros que usam as mídias para desqualificar esse potencial pra justificar uma aliança com setores que historicamente no Pará boicotaram os governos populares e sempre trabalharam para defender valores das oligarquias que só fazem atrasar o Pará", disse Puty., referindo-se ao PMDB, partido com o qual muitos dirigentes do PT já disseram que vão se coligar.
 
Indicação

O movimento Frente Popular por Candidatura própria, já deve protocolar documento,indicando o nome do deputado Puty ao governo do Estado. E segundo organizadores das atividades, o coletivo deve ainda acatar mais candidaturas que estejam dispostas a entrar nessa disputa, promovendo um debate, que para muitos, já tinha resultado consumado: apoiar candidatura do PMDB.

Convocação

O ex-vereador Marquinho do PT também sugere que para as próximas plenárias sejam convidados o presidente estadual do partido, deputado Milton Zimmer, e o presidente municipal de Belém, Apolônio Brasileiro, para  que esse momento seja enriquecido com debates, que são preparatórios ao encontro do PT, que deve sim decidir sobre os rumos do partido nas eleições 2014.

 "Queremos solicitar a presença dos dirigentes, pois nossa militância merece que tenhamos um debate interno maduro, sincero, já que nas mídias esse debate já é aberto e até a população que não é petista, mas vota no PT, foi surpreendida com notícias de reuniões entre dirigentes do PT e o PMDB, selando alianças, antes que a militância, que é o maior patrimônio do partido, fosse consultada, como rege o próprio regulamento partidário e o mínimo de etiqueta na política, então, principalmente por esse respeito à militância, queremos debater os rumos do PT.", concluiu Marquinho.

 

As razões de Puty
 

Em seu manifesto, o deputado Cláudio Puty alinhou sete pontos para defender a sua candidatura ou qualquer candidatura própria do PT:
 
1. É legítimo a qualquer filiado do partido, no pleno gozo de seus direitos políticos, apresentar seu nome e submetê-lo ao escrutínio interno nas instâncias partidárias.

2. O PT não tem posição firmada sobre a tática eleitoral para 2014 e qualquer afirmação contrária a isso conflita com o regimento interno. Apenas o Congresso Partidário pode dar parecer definitivo a esse respeito. Até lá, existem apenas opiniões acerca disso, inclusive as que defendem candidatura própria do PT e as que defendem que sigamos à sombra de outras legendas.


3. A adesão imediata ao lançamento do meu nome, inclusive de lideranças de outras legendas, e a reação intempestiva dos que precipitam decisões à revelia das instâncias partidárias mostra que o PT tem energia militante, densidade social e capacidade política para organizar a oposição programática ao governo tucano e capitaneá-la.


4. Jamais manifestei rejeição à política de alianças com partidos da base aliada do governo federal. Ao contrário. Apenas não considero que o partido que governa o país e que governou o Pará e a capital do Estado com resultados exitosos possa, simplesmente, abrir mão de disputar a liderança da oposição e apresentar sua plataforma aos eleitores paraenses no primeiro turno.


5. As eleições em dois turnos se prestam, justamente, ao confronto de ideias. O Pará carece de saúde, educação, segurança e infraestrutura, sobretudo porque carece de um debate qualificado de rumos e propósitos que só a apresentação clara de plataformas pode ajudar a construir. Se o PT não tivesse nada a dizer ou a acrescentar a esse debate, não precisaria lançar nome ou apresentar-se ao eleitor. Mas tem. E quer ver as eleições amadurecem ao ponto de que não vença quem tenha mais dinheiro ou o melhor brega na televisão, mas quem apresente as melhores ideias para resolver os problemas que desafiam os séculos em nosso estado ao ponto de parecerem insolúveis.


6. O entusiasmo com que meu nome foi recebido e a efervescência produzida pelo lançamento na base partidária contradiz a tese derrotista de que o PT “não tem chances” na disputa ao governo. Em 1996, quando venceu a prefeitura de Belém e em 2006 quando venceu o governo do Estado, o PT não aparecia como favorito e mostrou, no decorrer da campanha, que é um partido de massas e que tem identidade com o povo trabalhador e suas causas. Hoje o PT tem a adesão de um terço dos eleitores e o governo da presidenta Dilma tem no Pará sua maior aprovação. Não há justificativa para dizer que não temos chances de vencer.


7. Meu nome está lançado e serei candidato a governador de minha legenda se assim decidir o Congresso do partido. Até lá, percorrerei o estado, reunirei com lideranças, exporei minhas ideias e mostrarei que a melhor tática para a oposição vencer a máquina pública e a hegemonia tucana não é ficarmos todos no mesmo lugar para sermos golpeados, mas agruparmos os setores sociais descontentes em torno de plataformas claras e partidariamente identificadas no primeiro turno para, no segundo, saber quem então vai apoiar quem. Eu sigo confiando na força do PT e de sua militância. Por isso confio na vitória.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário