terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O FIM DA NOVELA

JADER BARBALHO

Na história de desenvolvimento do nosso Estado está a construção da Hidrovia Araguaia-Tocantins. O projeto existe há mais de 60 anos, conhecido como Prodiat – Projeto de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Araguaia-Tocantins – financiado pelo Banco Mundial, mas esquecido por todos os governos da República. É uma luta, portanto, de gerações. Com a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, a navegabilidade do Rio Tocantins ficou comprometida, e o Pará começou, então, a luta pela construção das eclusas de Tucuruí para que fosse restabelecida a navegabilidade no rio.

Posso dizer, sem me importar com acusações de vaidade gratuita ou exagerada, que eu consegui a fórmula para que as eclusas saíssem do papel, haja vista o assunto ter recebido status de “cabeça de burro”, uma expressão popular para aquilo que não se resolve. Pois eu conversei com o presidente da Eletronorte, o paraense Carlos Nascimento, para que o projeto fosse retirado do Ministério dos Transportes e ficasse com a Eletronorte. Conversamos e depois ganhamos o aval do presidente Lula. Assim, ficaria mais fácil, porque os recursos da Eletronorte para a obra seriam somados aos do orçamento da União, também por nós alocados. Tudo isso é muito importante para o projeto que vai unir as águas dos rios Tocantins e Araguaia, uma grande via navegável, capaz de tornar ainda mais importante o porto de Barcarena e permitir o escoamento de todas as riquezas do centro-oeste brasileiro e da região sudeste do Pará. Minha luta valeu a pena porque a construção das eclusas se tornou realidade devido à minha atividade político-parlamentar.

Depois das eclusas, há outro impedimento para a navegabilidade à montante da hidrelétrica: o Pedral do Lourenço, que são corredeiras que impedem a navegação do trecho, em grande parte do ano. O projeto do Pedral, de derrocamento das pedras, estava no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal) de 2010, mas misteriosamente foi retirado, e desde então eu venho pressionando a presidente Dilma, o ministro dos Transportes (inclusive o Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) com pedidos de informação (um instrumento constitucional que obriga o poder público a dar respostas em prazo determinado, sob pena de acusação de crime de responsabilidade). Neste meu mandato, tenho me dedicado muito a isso, à realização desse sonho que é a construção de um caminho, de uma hidrovia nas águas do Tocantins e do Araguaia, que vão viabilizar o desenvolvimento não só dos Estados do Centro-Oeste (Tocantins, Goiás, Mato Grosso, o maior produtor de grãos do país, e até com influência no Maranhão), mas fundamentalmente no Pará, porque sem a navegabilidade desse trecho fica inviável o porto de Marabá, e com isso morre outro sonho que é a verticalização do ferro de Carajás. Fica no papel a Alpa – Aços Laminados do Pará – que vai transformar ferro em aço, deixando para trás a fase de o Pará ser mero exportador, ou de produtor elementar da indústria, para passar adiante e entrar na cadeia de produção do mineral.

Aliás, eu inaugurei no meu primeiro mandato de governador, o Distrito Industrial de Marabá, com a instalação da primeira indústria de transformação de ferro bruto em ferro gusa. Ganhei uma placa de prata, comemorativa aos 25 anos de criação do Distrito Industrial de Marabá das mãos do empresário Luís Carlos Monteiro, ao lado de dirigentes da Federação das Indústrias do Pará. Luís Carlos Monteiro foi o primeiro empresário a se estabelecer na área, com a Cosipar (Companhia Siderúrgica do Pará) e infelizmente faleceu há pouco tempo.

Quanto ao Pedral do Lourenço, o Denit garante que a novela está prestes a terminar e, no dia 28 de fevereiro próximo, a presidente Dilma vai lançar o edital para a remoção da pedreira. Tudo isso me traz orgulho, porque, lá atrás, no meu primeiro governo, eu estava preocupado com a infraestrutura e construí a mais importante rodovia do Pará, a PA-150, que liga praticamente Belém até o limite com o Mato Grosso. Agora a PA-150 está seccionada, pois de Marabá em diante foi transformada em rodovia federal, a BR-155. Mas fui eu que construí, asfaltei e integrei toda a região do sul do Pará. Isso não é mentira, propaganda enganosa, falsa, como faz o atual governo. Essa rodovia tem mais de mil quilômetros, mais da metade da Belém-Brasília, o povo pode conferir a qualquer hora. Tudo com recursos do Estado. Fui eu, também na área de infraestrutura, que levei, espalhei a energia de Tucuruí, que só existia em Belém e Barcarena, para todo o Pará, fundamentalmente para o sul do Pará. Então, eu sempre acreditei no processo de industrialização do sul do Pará e agora festejo com muita esperança as notícias sobre o Pedral do Lourenço.

Como eu disse em entrevista recente, não vou à tribuna do Senado fazer o que fazem os bobalhões: sobem trezentas vezes para falar bobagens, coisas irrelevantes ou gritar para as câmeras achando que isso é muito importante para o Pará. Nesse episódio, como em muitos outros, procuro com a minha experiência e o meu conhecimento tratar de assuntos que são capazes de mudar a paisagem socioeconômica do meu Estado e criar perspectivas de desenvolvimento em favor das futuras gerações. O que eu fiz e faço não tem o traço da propaganda falsa, enganosa e fútil com a qual se sustenta o governo atual que, sem ações, transforma a triste realidade de seu governo em fantasia boba patrocinada com o farto dinheiro público.

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