segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Linhão de Tucuruí integra Amazônia

A inauguração do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus vai livrar a região Norte da intermitência elétrica e economizar R$ 2 bilhões por ano - assim que a Manaus Transmissora corrigir três anos de atraso

O linhão da Calha Norte é umas das maiores reivindicações dos municípios que fazem parte da região localizada a margem esquerda do rio Amazonas. A obra teve inicio em 2011 e somente este ano está concluída, com uma extensão total de 1.800 quilômetros de Tucuruí (PA) à capital amazonense, Manaus.

Os primeiros testes já foram realizados energizando a linha de transmissão do Linhão, que chegou até Manaus sem que nenhum problema fosse detectado.

Apesar de concluída, a obra ainda está em fase de reajustes finais, mas até o final do ano Manaus será energizada com a energia de Tucuruí, é o que garante o Secretário Extraordinário de Estado para Assuntos de Energia do Pará, Nicias Lopes Ribeiro.

Nicias Ribeiro garante que quando Manaus for energizada, logo após será iniciada a obra de rebaixamento do linhão para os municípios da região da Calha Norte. “A partir do momento que for energizado Manaus, será rebaixado 138 mil volts na subestação de Oriximiná e será entregue a Celpa. O que não significa a energização imediata, até porque existe todo um processo de licenciamento ambiental junto a SEMA, para que a Celpa possa dar início ao rebaixamento para 34,5 mil KV para atender aos municípios”, afirmou Ribeiro.

Nicias disse que o rebaixamento do linhão da Calha Norte inicia com a energização do trecho até Manaus, na subestação da cidade de Oriximiná serão rebaixados 138 mil V e entregue a Celpa que então reduzirá pra 34,5 mil KV pra atender a cidade de Oriximiná, e de lá, segue para atender os municípios de Faro e Terra Santa. Outra linha sairá da subestação de Oriximiná para o município de Óbidos que será rebaixado para 34,5 mil KV e segue até o município de Curuá. Outra parte da subestação Óbidos será rebaixado para Alenquer, onde estenderá para a cidade de Monte Alegre mais 34,5 mil KV.

Do trecho que vai até Macapá com energização prevista para o fim deste ano, será entregue para a Celpa mais 34,5 mil KV da subestação de Jurupari, na Serra da Velha Pobre e de lá segue para a cidade de Almeirim, com uma extensão de 23 quilômetros. Em Laranjal do Jari terá uma subestação de 138 mil V, reduzida para 90 e 69 KV que será entregue para a Rede Celpa, e esta por sua vez atravessará o rio Jari e levará energia até Monte Dourado e pra vilas do Projeto Jari.

Nicias Ribeiro falou que para a cidade de Juruti, onde está localizada a mina da Alcoa, ainda não está decidida e se receberá energia ou não do linhão. Como se trata de atravessar o rio Amazonas pelo fundo ainda está sendo estudado, será realizado uma reunião técnica para estudar a viabilidade e os impactos dela para a região. A estação de rebaixamento é de mais de 700 quilômetros o que implica em uma obra grande e em longo prazo. Caso o Linhão da Calha Norte não seja viável para atravessar pelo fundo do rio Amazonas, devido as fortes correntezas, a alternativa será levar a energia para Juruti até Parintins, vinda da cidade de Itaituba.

Segundo o secretário, uma das maiores dificuldades encontradas para aplicação de grandes obras, como o linhão da Calha Norte, é o clima da região amazônica, que só permite trabalhar em seis meses do ano, na época do verão, no inverno é impossível o trabalho, devido à cheia dos rios. Alerta que existe uma data para entrega, mas que precisa ser ajustado as dificuldades que a empresa enfrenta para concluir a obra.

O secretário disse que foi prorrogado a dada levando em conta os obstáculos que a Celpa enfrenta para concluir, mas que não significa que só entregará em 2017, pode ser que seja concluída no ano que vem. Nicias ressaltou que a subestação de Oriximiná já está pronta o rebaixamento, falta apenas entregar a Celpa.



“Grandes obras na Amazônia não podem ter uma data de conclusão definida sem levar em consideração esses dois pontos: clima da região e licenciamento ambiental, que causam uma prorrogação desta data já definido, e isto provoca a impaciência da população que será beneficiada pelo linhão. Este ano a Celpa estendeu a conclusão do rebaixamento até 2017, já considerando esses aspectos”, reafirma Nicias, lembrando ainda que a Celpa receberá financiamento para realizar essa obra. Nicias explica que quando se trata de rebaixamento de 138 mil V são utilizadas torres, quando é reduzido par 34,5 Kv são usados postes.

Nicias afirma que todo o linhão já está em fibra ótica, o que possibilitará a melhoria do serviço de internet na região da Calha Norte. Há um projeto para que seja criados as chamadas infovias, que são linhas de fibra ótica, que levarão a internet para os municípios da Calha Norte. A fibra óptica tem como principal finalidade transportar informações, usadas nas telecomunicações.



Saíno do sufoco



Só quem mora na região Norte sabe o que significa o inferno de apagões, intermitência de energia e quedas de luz que danificam eletrodomésticos e aparelhos de ar-condicionado.

Serviços imprescindíveis, hospitais e repartições públicas são obrigados a recorrer a geradores. O combustível vem de longe, de barco. Com vasta extensão territorial e baixa densidade demográfica, os Estados da região Norte respondem por 6% do consumo de eletricidade do País, e 25% desse mercado é atendido por 27 termelétricas a diesel e a gás que emitem toneladas de gás carbônico na atmosfera.

Felizmente, em 9 de julho, depois de cinco anos de obra (e três de atraso), entrou em funcionamento parcial o linhão de 1,8 mil quilômetros de extensão que vai da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, até Macapá, no Amapá, e alcança Manaus, no Amazonas. Graças a ele, R$ 2 bilhões serão economizados por ano quando as termelétricas forem sendo desligadas, assim que a empresa Manaus Transmissora concluir (até dezembro?) as subestações e as linhas projetadas. Manaus respondia por 60% do consumo de energia dos “sistemas isolados” (desconectados da rede nacional), cujo custo de geração era subsidiado pela conta de consumo de combustível embutida na conta de luz de todos os brasileiros.

Cerca de 3,3 mil torres de aço foram instaladas na floresta para estender o linhão, algumas transportadas por helicóptero e barcaças. Para atravessar os 2,5 quilômetros de largura do rio Amazonas, em Jarupari, perto de Almerim, no Pará, foram construídas duas torres de 300 metros em cada margem – um pouco menos do que os 324 metros da Torre Eiffel, em Paris.

Há várias linhas do Sistema Integrado Nacional (SIN) com construção atrasada e usinas eólicas e hidrelétricas prontas sem gerar energia porque não existe rede para transportá-la. Mas, apesar de todos os pesares, a linha Tucuruí-Manaus merece ser celebrada. A expansão do sistema muda a realidade da região Norte. Os sistemas isolados do Acre e de Rondônia já foram conectados à rede, em 2009, com a entrada em operação da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira.

O progresso anda devagar, mas anda. Em julho, fracassou o leilão do Ministério de Minas e Energia para a construção da linha Rio Branco-Cruzeiro do Sul, de 657 quilômetros de extensão, que ligaria o extremo oeste do Acre com o resto do País. Apesar de sete empresas estarem credenciadas, nenhuma se apresentou para a obra, de olho em preços mínimos mais baixos e margens de lucro mais altas Em decorrência, as cidades no vale dos rios Juruá, Taraucá e Purus continuarão com luz intermitente.

Nos 111 mil quilômetros da rede elétrica brasileira (a terceira maior do mundo) há muitas perdas de energia. Mas o sistema permite transferir energia renovável, gerada em diversas bacias, para centros consumidores distantes, aproveitando as diferenças de sazonalidade dos regimes pluviais do País. Um dia, quando o sistema for completado, interligando o único trecho que falta, entre Porto Velho e Manaus, será possível operar em circuito fechado. Até lá, a evolução tecnológica dos materiais condutores melhorará os níveis de eficiência da rede.

Integração regional

A linha de Transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus permitirá a integração dos estados do Amazonas, Amapá e do oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com aproximadamente 1.800 quilômetros de extensão total em tensões de 500 e 230 kV em circuito duplo, passará por trechos de florestas e vai atravessar o Rio Amazonas.

Por se tratar de uma obra complexa e realizada predominantemente na floresta amazônica foi definido um projeto compatibilizado com as orientações do órgão ambiental, buscando mitigar os impactos ambientais decorrentes, tais como alteamento de torres, uso de estruturas autoportantes e adoção de apenas picada para lançamento de cabos. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 3 bilhões.

Além de interligar sistemas isolados do extremo norte, a nova linha vai diminuir o custo com geração termelétrica. A conclusão da obra do “linhão”, como é chamada a linha de transmissão, possibilitará ao País uma economia de R$ 2 bilhões por ano. Com isso, o cálculo é de que a linha se pagará em pouco mais de um ano e o fornecimento predominante será de energia limpa e renovável. Com o fim do uso de combustível fóssil, cerca de 3 milhões de toneladas de carbono deixarão de ser lançados na atmosfera.

O edital para a licitação da linha foi publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em março de 2008. A SPE Manaus Transmissora de Energia S/A vai construir o trecho Oriximiná / Silves / Lechuga, em 500 kV, com extensão de 586 km, nos estados do Amazonas e Pará. As empresas participantes são Eletronorte, Chesf e a espanhola Abengoa.

A empresa espanhola Isolux venceu os outros dois lotes, o lote “A” que liga Tucuruí a Jurupari, em 500 kV, e o lote “B” que liga Jurupari a Oriximiná, em 500 kV e Jurupari a Macapá, em 230 kV. Esses trechos têm conclusão prevista para junho de 2013 e dezembro de 2012, respectivamente. Cerca de 4 mil operários trabalharam na execução da linha.

Em abril de 2011, foi concluída a montagem da primeira torre da linha de transmissão que ligará a Usina Hidrelétrica Tucuruí a Manaus, Macapá e dezenas de cidades do interior. A torre situada no trecho entre Oriximiná e a Subestação Engenheiro Lechuga, na capital amazonense, tem 62 metros de altura – o equivalente a um prédio de 20 andares, e pesa 24 toneladas.

O projeto da interligação faz parte do Programa de Expansão de Transmissão (PET) 2008-2012, desenvolvido com o objetivo de levantar as obras necessárias à expansão da rede básica. O “linhão” integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

Os estudos preliminares sobre a viabilidade do projeto, que liga Tucuruí a Manaus e atende também o Amapá, surgiram no final dos anos 1980. Os levantamentos foram retomados em 2004, com a aprovação das leis que instituíram o novo marco regulatório do setor elétrico. Em 2007, o projeto do “linhão” foi apresentado.

Foram avaliadas várias alternativas para o traçado da linha para encontrar a que ofereceria menor impacto ambiental. Inicialmente foram consideradas seis opções. O tipo de vegetação e o uso do solo foram pontos decisivos na escolha. Quando havia interferência em áreas legalmente protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, foi feita mudança no traçado. Outro ponto importante do projeto diz respeito à travessia de rios. O Amazonas, por exemplo, chega a ter até dez quilômetros de largura em alguns pontos. O sistema permite acrescentar um terceiro circuito à linha no futuro, usando o mesmo corredor.

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