segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reforma ministerial deve ser influenciada por alianças eleitorais

Das 14 mudanças esperadas, ao menos 12 titulares de pastas devem ter perfil político em vez de técnico

O ministério que a presidente Dilma Rousseff começa a definir em janeiro e que terá contornos finais após o carnaval, em março, será moldado nas necessidades eleitorais da candidata do PT à reeleição para o Planalto. E terá prazo de validade: nas conversas que a presidente tem tido com os partidos, eles sabem que os nomes escolhidos poderão ser trocados em 2015, dependendo do resultado das urnas e dos personagens que forem importantes na corrida eleitoral. “Conforme o desempenho dos aliados e o peso dos partidos na composição do novo Congresso, poderemos ter um novo desenho ministerial no início do segundo mandato”, admitiu um aliado direto da presidente.

Dilma queria ter começado as definições dos nomes em dezembro e estender as substituições para, no máximo, janeiro. A escolha do novo cronograma tem a participação direta de dois personagens: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pré-candidato do PT ao governo de Minas Gerais. O prazo máximo para a desincompatibilização é o fim de março, seis meses antes das eleições.

Na cabeça da presidente, trocar os nomes em dezembro e janeiro daria tempo suficiente para os novos ministros se ambientarem com a máquina e começar a produzir efetivamente logo após o carnaval. A tendência também era indicar secretários executivos, com uma ou outra pasta destinada a indicações políticas. Entretanto, mudou de ideia, influenciada por Lula.

O ex-presidente alertou que as indicações devem ser políticas, para agradar aos aliados e garantir os respectivos palanques. Além disso, seria arriscado escolher os nomes muito antes das convenções partidárias, marcadas para junho, quando acontecem as definições das alianças políticas. “Dilma estaria entregando um espaço no governo antes de ter a certeza da contrapartida dos partidos”, ponderou um interlocutor palaciano, que compreende o raciocínio lulista.

 QUEM FICA, QUEM SAI

A chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, devem deixar seus cargos logo em janeiro de 2014, antecedendo os demais colegas que sairão até março para disputar as eleições. Gleisi será candidata do PT ao governo do Paraná e Padilha concorrerá, pelo mesmo partido, à sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

Senadora licenciada, Gleisi planeja sair no próximo dia 13 e Padilha, no máximo até o fim de janeiro. Na prática, os dois darão a largada da reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma Rousseff. Na cúpula do PT a avaliação é que tanto Gleisi quanto Padilha vão enfrentar fortes adversários do PSDB e devem começar a percorrer logo as cidades do interior de seus Estados para se tornarem conhecidos.

MERCADANTE NA CASA CIVIL?

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu à presidente Dilma Rousseff que transfira o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para a Casa Civil, porque ele poderá cuidar da gerência do governo enquanto ela estiver em campanha pela reeleição, no ano que vem. A presidente, porém, ainda não tomou uma decisão.

No Planalto, auxiliares de Dilma comentam que esse cenário é "provável", embora ela ainda avalie a possibilidade de puxar Mercadante para a coordenação política de sua campanha.

Dilma também gosta do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, petista que a levou para dar umas voltas em sua moto Harley-Davidson, nodia 4 de agosto, em Brasília. Gabas é visto pela presidente como um bom gestor, que poderia ser deslocado para a Casa Civil.

Na Saúde, se a presidente optar por uma solução doméstica para a substituição de Padilha, o nome em alta é o do secretário de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério, Mozart Sales, um dos maiores colaboradores do programa "Mais Médicos".

CIRO GOMES

 É certo que a presidente quer o secretário da Saúde do Ceará, Ciro Gomes (PROS), em sua equipe. O comentário no Planalto, porém, é que ele só entrará no governo em eventual segundo mandato de Dilma, caso contrário sua recente mudança do PSB do governador Eduardo Campos (Pernambuco) para o PROS ficaria carimbada como fisiológica. De qualquer forma, a pasta esperada por Ciro há muito tempo é mesmo a da Saúde.

Para o Ministério da Integração Nacional o mais cotado continua sendo o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A indicação de Vital é defendida tanto pelo PMDB do Senado, tendo à frente o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), como pela bancada do partido na Câmara.

O comando do PMDB fez chegar ao vice-presidente Michel Temer que vai reagir "com força" se Dilma decidir atropelar o partido para pôr Ciro Gomes na Integração Nacional, ministério reivindicado para Vital do Rêgo.

Em conversas reservadas, dirigentes do PMDB dizem que não podem aceitar, nessa cobiçada cadeira, um político como Ciro, que chamou o partido de "ajuntamento de ladrões". Aproximadamente 12 ministros deixarão os cargos na Esplanada para entrar na corrida eleitoral de 2014.

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