sábado, 26 de outubro de 2013

Mobilidade Urbana, Trânsito na vida dos Paraenses.

A pesquisa Indicadores de Mobilidade Urbana no Brasil, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demonstra claramente que em todas as capitais brasileiras, incluindo Belém, o transporte individual tem sido privilegiado em detrimento do transporte coletivo. E que, fatores como crescimento da população e a melhoria da renda, assim como a falta de investimentos nos sistemas coletivos de transportes, tem contribuído para que o transito fique cada vez mais caótico em todas as cidade de médio e grande porte.

Mas quando se falar em mobilidade urbana não se deve entender apenas como deslocamento de veículos, mas também como a circulação de pessoas pelos logradouros públicos, praças e jardins. Neste item, por exemplo, Belém realmente deixa muito a deseja, tal é o mau estado de conservação de suas calçadas, a falta de acessibilidade nas ruas, nos prédios, inclusive os prédios públicos.

Pesquisa do Ipea é uma ótima advertência não só aos gestores municipais, mas também às populações das cidades, pois são os moradores que devem zelar pela qualidade do acesso, não obstruindo nem desnivelando calçadas, não danificando os meios de transportes, respeitando faixas de ciclistas e pedestres; não estacionando sobre as calçadas etc.

Talvez a questão dos transportes chame mais a atenção porque afeta diretamente a maioria da população. Segund o a pesquisa, dois terços (66%) da população da Região Metropolitana de Belém gastam até 30 minutos diariamente no deslocamento entre casa e trabalho e 10% gastam mais de uma hora. Como se não bastasse, a pesquisa ressalva, que "há uma clara tendência de piora, em função do crescente aumento da taxa de motorização da população conjugado com a falta de investimentos públicos nos sistemas de transporte público ao longo das últimas décadas".

Na região metropolitana de Belém, os cidadãos gastavam, em 2012, 32,8 minutos, em média, indo de casa para o trabalho. O tempo é 35,4% maior do que o observado há uma década. Essa foi a evolução mais expressiva do País, entre as nove regiões metropolitanas avaliadas e o Distrito Federal. Atrás do Pará aparecem a região metropolitana de Salvador (27,1%), de Recife (17,8%), de Belo Horizonte (13%) e de São Paulo (19,6%). No Rio de Janeiro o tempo gasto no veículo era de 47 minutos, em média, em São Paulo o tempo médio é de 45,6 minutos e no Distrito Federal é de 34,9 minutos.

MAIS DE UMA HORA

Na avaliação dos locais onde os trabalhadores gastam mais de uma hora dentro do carro, a região metropolitana de Belém também é destaque. A região tinha o menor percentual de trabalhadores do País que gasta mais de uma hora para ir ao trabalho, 10,1%. O aumento foi de 6,86%, entre 1992 e 2002, o terceiro maior desenvolvimento entre as demais regiões metropolitanas. Na região metropolitana de São Paulo, 23,5% dos cidadãos passavam mais de uma hora para ir até o serviço. Em Salvador o percentual era de 17,3%, no Rio de Janeiro de 24,7% e em Curitiba o percentual chegou a 15,7%, em 2012. Em 10 anos o percentual de cidadãos que perde mais de 60 minutos para chegar ao trabalho aumentou mais na região metropolitana de Salvador (8,97 p.p.) e na região metropolitana de São Paulo (6,83 p.p.).

VALE TRANSPORTES

O estudo do Ipea mostra ainda que as políticas de auxílio ao transporte, como o vale-transporte, atingem pouco as classes sociais mais baixas. Aproximadamente 40% dos trabalhadores brasileiros recebem esse tipo de auxílio, mas os menores percentuais de cobertura estão nas famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo. Segundo o estudo, apenas 11% das famílias nessa condição recebem auxílio-transporte, enquanto entre as famílias com renda superior a cinco salários mínimos o percentual é 36%.

TAXA DE MOTORIZAÇÃO

O percentual de domicílios paraenses com carro ou moto aumentou 9,8 pontos percentuais (p.p.), em 4 anos, o 10º pior resultado do País, de acordo com a pesquisa do Ipea. De acordo com os números, 15,4% dos domicílios paraenses possuíam, em 2012, carro particular e 24,9%, moto. No ano passado, 36,5% das residências paraenses estavam motorizados com veículos próprios, uma das proporções mais baixas do Brasil.

Entre 2008 e 2012, o número de domicílios com motos privadas subiu 8,8 pontos percentuais no Pará. Em relação ao número de carros particulares, o aumento foi de 2 (p.p.). No Piauí, o aumento percentual de domicílios com carro ou moto foi de 20 (p.p.) no período avaliado. No Amazonas a evolução foi de 2,2 p.p.. Em Santa Catarina, 75% dos domicílios são motorizados. O segundo melhor resultado é o de Rondônia (68,2%). Os piores percentuais estão em Alagoas (32,4%), no Amazonas (33,8%), Amapá (36,3%) e no Pará.

De acordo com o documento, o fato de grande parte da população ainda não ter a propriedade de veículos pode contribuir para uma piora ainda mais intensa nesse quadro nos grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões com menor percentual de motorização (Norte e Nordeste). Porém, de acordo com o Ipea, observa-se um padrão de aumento das taxas de motorização nos estados com menor renda per capita média, já que nessas localidades havia forte demanda reprimida por parte da população para aquisição de bens duráveis. Com o aumento de renda dos mais pobres nos últimos anos e as políticas de aumento de crédito, era de se esperar uma maior na taxa de vendas dos veículos privados.

Mais da metade dos domicílios brasileiros (54%) contavam com pelo menos um automóvel ou uma motocicleta para o deslocamento dos seus moradores. Essa proporção, relativa a 2012, representa um aumento de 9 pontos percentuais na comparação com 2008, quando 45% dos lares tinham um veículo particular. A tendência, segundo o Ipea, é que o número aumente ainda mais nos próximos anos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário